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Éramos dois…

Oi, tudo bem contigo?

Esse canal foi criado pra gente falar sobre tudo que ama, se chateia, se irrita e vai aos céus com essa tal condição especial de ser mãe.

Isso. Simples. Ter posto um ser no mundo, o tal ser que nos alterou até o histórico do RNA das células e transformou nossas vidas.

Essa é uma imagem do paraíso pra mim. Meu companheiro de aventuras, Lins, e a Luna, no meio do nosso ano sabático forçado e bem aproveitado pela Europa e Brasil. 2014. Te conto em vários outros posts como isso foi nos acontecer.

Vim aqui pra começar do começo. Tentar explicar tim tim por tim tim. Sou um pouco misteriosa e gosto de metáforas, mas aqui é pra abrir, ser clara. Darei meu melhor.

Nasci em 1980, no Alegrete, RS, quase na fronteira com Argentina e Uruguai. Mudei pra Porto Alegre para estudar Direito na Puc. Meu sonho era ser Promotora Pública para -acredite -cuidar do direito das crianças e mulheres. Minha rota se alterou quando fui passar uns dias em São Paulo, acabei ficando e trabalhando lá como advogada da JWT, agência de publicidade. Lá conheci meu marido e migramos para o Canadá em 2010.

Larguei a profissione e tudo mais para pegar a estrada aberta. No primeiro verão em Toronto, aprendi a viver de escrever, fotografar e ver a nova vida se abrir perante meus olhos. Foi como voltar a ter olhos.

Tempo pra mim é mais importante que tudo. Riqueza. Prioridade. Quero uma vida boa e sem pressa, com esse tempo para o que é essencial. Comer e amar.  Escrevo no meu blog desde 2009 e depois do ano que passamos 10 meses sem teto com um bebe caminhante, tomei coragem e tento para procurar uma editora e lançar um livro de crônicas. Realizei um grande sonho nesse dia e quase me borrei nas calças de medo.

Mas o que é a vida se a gente deixar o medo nos dominar?

Eis que em 2012, ano que casaríamos, me vi grávida. Sem planejar, casaria com 14 semanas de gravidez. Quase que o vestido não coube.

Luna nasceu no dia do meu aniversário. Completei 32 anos quando morri. Gosto de falar assim da morte, se não te importar. Das tantas que vivemos em vida. Morreu aquela que eu era e nasceu outra no lugar. Demorei uns meses para me fundir com essa nova Eliana. Enquanto isso, amamentava e amava – não sem resistência- no tempo sagrado dos primeiros meses do bebê.  Luna nasceu de parto natural, com parteira, aqui em Toronto. O assunto do nascimento me toca o coração. Foram meses de estudo, mentalização e domínio do medo aterrorizante de parir. Até que…foi o momento mais presente e marcante de toda minha vida. Hoje meu medo é de pensar no tanto que perdemos por temer.

Desde o primeiro ano de vida da Luna, foram tantos os perrengues, momentos de solidão dolorosos e solitude paradisíaca que passei a pensar a maternidade como esse mar de mistério e de constrastes. Todos falavam que eu não dormiria mais, mas ninguém teve a delicadeza de dizer que tudo valeria a pena e que o amor que nasceria seria motor para minha existência. Não há mais como pensar apenas em si mesmo.

Toda mãe é uma mulher. E há tantas mulheres dentro de uma só. No momento de encarar a maternidade, podemos nos permitir rearranjar nosso estilo de vida, repensar no que acalma o coração, passar a ouvir a prórpria intuição e cagar um pouco para os conselhos do mundo lá fora. Muitos deles foram moldados pelos senhores do mercado que nada sabem de quem gera e nutri a vida na terra.

Vejo a maternidade como uma jornada de consciência, uma chance. Talvez uma segunda chance. Talvez por que não tenhamos alternativa o barco vai começar a alterar a rota. Uma outra vida agora depende das nossas escolhas. Como vamos escolher viver?

O canal é sobre tudo isso e um pouco mais. É sobre criatividade e estilo de vida leve…é sobre poder de assumir as rédeas do teu mundo interno. É sobre se dar permissão de viver de amor, nem que seja um pouco ou por um tempo. É sobre não se culpar tanto e se a culpa bater demais, repensar: a quem minha escolha beneficia mais? Há como eu priorizar diferente? É sobre dividir o peso, a dor, as pequenas angústias do dia a dia. É sobre mudar a fonte da nossa própria auto-estima, que agora não contará com o aval do público externo, vai ter que ser validade por nós mesmas. Sobre infância, educação, casamento, relacionamentos, amamentação, parto, desmame, desfralde, alimentação…tanto e tanto que cabe numa vida de mãe.

Acima de tudo liberdade, sobre poder respirar. Deixar o caos de lado, se trancar no banheiro e decidir melhorar a leitura sobre os teus dias. Pois como tu vive teus dias tu vive tua vida.

Te vejo no meio desse campo aberto, com partes fechadas de mata nativa, lá onde os pássaros gorgeiam e as flores se abrem sem frescura, lá a gente se vê e se abraça e diz que tudo é normal, tudo passa…tudo passará.

Beijoca e boa sorte!

Eliana

 

 

 

 

 

 

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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