Gravidez

37 semanas de vida aquática

Toronto, 25 de outubro de 2012. Uma semana antes da Luna resolver nascer:

Completamos 37 semanas de gestação.
É tão bom pensar que ela saiu da linha da prematuridade. E já sonho com ela assim, como nesta imagem, crescida e curiosa. Olho para o quarto dela pronto e me pergunto: Estávamos mortos enquanto não fomos fecundados? Onde ela vivia antes de se desenvolver dentro de mim? Por que é tão difícil aceitar a morte se ela já existia enquanto não havia a vida? Ciclos e mais ciclos dentro dos séculos, dentro do tempo. Mário Quintana dizia que as nossas mortes são anunciadas como nascimentos nos jornais do outro mundo. Imagine o contrário.

E tua mãe divaga, bebezinha. Verás.

Ela não nasceu e já existe, sente, respira e interaje. E ainda vivemos na espera. A gravidez é mesmo um caminho sem volta. Uma mata fechada que não permite ver de fora o que se vai encontrar dentro. Em cada fase, uma descoberta. Tudo tão lento, tão atento e no fim, tão veloz. A gravidez é assim, contraditória, um tanto insana. Mas não há nada que te preencha de amor completo do que imaginar a vida se renovando no rosto de uma criança.
Enquanto tantos falam em ensinar, eu só penso em aprender. Estou curiosa para saber o mar de histórias que ela tem para me contar. Afinal, ela veio de algum lugar, por alguma razão quis nascer aqui. Sua memória estará fresquinha ao chegar. Vou observar cada detalhe e aproveitar para beber do mistério da vida, direto de sua fonte. Tudo isso, cedo, antes que a formatação se apresente, antes que seja tarde…

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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