Gravidez

Boneca de pano e histórias da barriga…

                                                                         Março_2013_Toronto:
Faz um ano que descobri que ia ter um bebê. Nessa data, ano passado, ainda estava eu absorvida pelo susto misturado com excitação e alegria. Lembrando desses dias  bizarros, fui rememorando cada etapa da gravidez. Tinha tanto receio de tantas coisas relacionadas a ela que fico até envergonhada por ser daquele tipo que antecipa problemas demais e esquece de viver a inocência do presente, sem medo. Coisa mais simples e corriqueira? Afinal, todo mundo engravida e tem bebê por ai…por que se mixar? Mas devo admitir que temia a jornada selvagem de produzir um ser humano dentro do ventre. E no fim, como sempre, tudo foi bem melhor do que minha mente minhoquenta podia prever. De medos de enjôos do primeiro trimestre, fui parar em Morro de São Paulo de lancha em pleno maio (no, não encarei o Catamarã).
A viagem para a Bahia estava fechada antes da descoberta da gravidez, não me pareceu razoável desistir. Em pleno inverno atolado de neve, planejei com uma amiga de percorrermos 3 lugares lindos e ensolarados em dez dias. Nada como visualizar imagens de praias quando se tem gelo do lado de fora. É como trazer o sol para dentro. Nosso plano foi traçado e realizado com sucesso. Bom é viajar fora de temporada, momento em que tudo volta a ficar manso e sereno. Salvador- Morro- Praia do Forte, nesta ordem. Inesquecível.

Os momentos são raros como a primavera por aqui. Viveu, viveu. Não aproveitou, passou. O que me faz pensar que medos e preocupações, embora inevitáveis, não devem prevalecer na hora da ação. Fé em Deus, pé na estrada…

Foi em Salvador, andando pelas ladeiras do Pelourinho, que avistei essa boneca de pernas longas. Estava grávida de 13 semanas* e não sabia ainda se meu bebê era guri ou guria. Dentro de mim, a convicção de que teria uma menina era encoberta por um desejo de manter a imparcialidade. Minha querida amiga e eu andávamos observando os prédios antigos, as cores já opacas, mas ainda belas das construções de lá, além das pessoas que circulavam no local. Duas senhoras baianas, vestidas à carácter, sentadas nas escadarias nos chamaram para ver melhor as bonecas, depois que captaram meu olhar de interesse. Daí que uma delas dobrou as pernas da boneca, e ela ficou assim, como quem medita num canto e me apaixonei.

Uma boneca meditativa, é isso! Levo ou não levo? Mas se for guri? Bom, nesse caso ele nunca saberia desta história. Abafa e pronto. E se for guria, como imagino que seja, ela terá uma boneca comprada por pura e total intuição, só pra ela. Uma bonequinha que fala português e conta histórias da Bahia, terra de São Salvador…e era menina e que bom que comprei a boneca.

A primeira e única boneca da Luna é negra e adorável como as mãos que a receberam no mundo, na madrugada do dia 3 de novembro. Aqui estão elas, conversando, trocando conselhos…A Luna deve estar dando dicas de como sua boneca esbelta pode engrossar as coxas e se tornar mais fofinha: Toma mais leite, toma! 

(ps.: Aqui no Canadá, não há uma corrida louca para saber o sexo do bebê, nem injeção, nem especulação que antecipe um chute. Se faz uma média de 4 ultrassons por gestação e o sexo tu só sabe por volta das 18 semanas, isso se quiser saber…é comum também não querer uma resposta e só querer a surpresa. Ou seja, não é só na hora do parto que a coisa no Brasil funciona de um jeito louco e bem diferente do resto do mundo =).

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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