Amamentação Primeiros Meses

é nunca contentar-se de contente e o dente…

Toronto_verão_2013:
Até ontem acreditava ter um sorriso banguela em casa. Totalmente banguela. Mas a banguelice da minha bebê começa a perder força. Depois da segunda soneca do dia, Luna acorda cheia de sorrisos pra brincar…coloquei o dedo na boca dela para fazer graça e ela mordeu e deixou marca.
Mas peraí? Tu já tem dente! Sim, unzinho, nascendo embaixo…E eu me derreto. Nunca imaginei que uma criança me traria esse senso de preenchimento, nunca acreditei no clichê ouvido cem mil vezes sobre a alegria infinita em criar um filho. Só conseguia ver a trabalheira danada e os cuidados e as privações…uma fofurice aqui outra ali, mas nada que me fizesse crer que a experiência seria apaixonante. E acho que é isso que define meu estado emocional…totalmente apaixonada, de um jeito latente e único e intenso e elevado.
O bom da paixão é que ela não é egoísta, ela respinga no mundo, em outras pessoas…o que me faz ficar apaixonada pela vida, pela humanidade inteira. É o amor, como diriam os irmãos Camargo muitos e muitos anos depois de Camões. Ah, filhos…haverei de discordar de ti, Vinicius, querido, ‘filhos, melhor tê-los,’ pois nós ficamos melhores em comparação ao que éramos. E quando melhoramos individualmente, melhoramos o mundo. E quando doamos nosso tempo aos pequenos, construímos um coração forte, ou melhor dois, e isso também muda o universo todo. Um oceano se faz com cada gota, não há oceano inteiro sem cada pequena gota d’água…assim é o homem, assim é a energia total que nos cerca.
Desculpem a volta filosófica e zen…deve ser a ocitocina da amamentação. Sempre imagino um mundo cômico onde todas as mulheres estariam grávidas ou amamentando ao mesmo tempo, a terra levitaria e daria piques no universo infinito…como uma bola bem leve e solta e apaixonada.
A ocitocina é o hormônio do amor e nós, meus caros, somos puro hormônio. Mas ando divagando, como sempre…o fato é que o primeiro dente surgiu. Agora não posso mais chamá-la de “chefinha banguela“. Preciso de outro adjetivo. Outro dia falei para Mari, minha amiga-irmã, que a maternidade era a melhor escravidão  já inventada. Ela agradeceu por não ter que ouvir mais uma vez o clichê: ‘ter filho é padecer no paraíso’- embora compreenda a profundidade desse maravilhoso jargão só agora.
A cultura popular sabe das coisas. Então assim eu termino, ou começo meu dia…padecendo no paraíso, antes banguela, agora com um dente proeminente. Segue o baile…com um pouco de Camões selecionado e aplicado à vida das mães do planeta…
“amor é fogo que arde sem se ver”
“é dor que desatina sem doer”

é querer estar preso por vontade…”
“é ter com quem nos mata lealdade…”

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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