Amamentação Primeiros Meses

Já nem sei mais

Maio_2013_Toronto:

O diálogo foi esse. Sem sentido assim, como vai parecer. Eu, na poltrona mais fofa da terra – o lugar escolhido para alimentar meu bebê, ele, na bola de pilates cor de rosa-chiclete, que compramos na promoção da Sears, quando ainda nos preparávamos para a jornada do parto natural. Então ele comenta do dia e eu distante respondo:
Ah, desculpa, amor, não ouvi o que tu disse…é que eu nem sei mais…tô tomada de ternura, apaixonada e perdida nessa experiência profunda…as vezes me sinto no centro de um furacão, outras num oceano de paz…nem sei mais o que eu sou, de onde vim e para onde vou…
Ele, no alto da sua praticidade masculina:
Tu é a Eliana, tu veio do Alegrete e tu vai para onde tu quiser. [usando o ‘tu’ para falar bem a minha língua, na esperança que eu o compreendesse melhor.]
Funcionou. Tive que rir. Rir muito. Minha proposta não teve eco. Queria que ele divagasse, navegasse comigo num lago de abstração e subjetivismo. Queria que juntos fôssemos passear na beira do abismo do significado da palavra maternidade, mas não. Ele ficou, não pegou meu bonde e foi bom. As vezes eu preciso de algo que me pare e me diga coisas bem simples.
Se eu não sei mais quem sou, de onde vim nem para onde vou, ele – que ainda me enxerga- me ajudou.
Sou Eliana, vim do Alegrete e vou para onde quiser…me parei a repetir.
Se quiser, o que é mais importante.
Cuidar é tão bom que alimenta mais o coração de quem dá do que daquele que recebe. Mas como ele mesmo me diz: E quem cuida de ti, cuidadora? Tu, eu responderia.

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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