Primeiro post pós parto =)_ Toronto/ Dezembro 2013.
Como recomeçar? Parece que outra coisa surgiu no lugar do que eu era. Isso tudo em apenas 40 dias. Os mais intensos, ricos, amorosos e exaustivos dias que já vivi. Minha bebezuca completa 40 dias hoje. Dizem os de lá do Oriente, que a alma necessita desses 40 dias para se adaptar ao novo corpo, à nova vida, e que, após esse prazo, tudo muda para o bebê. As coisas se assentam e ele já se sente em casa, mais confortável na nova condição. Dizem também que para morrer ocorre o mesmo. A alma precisa de um tempo para se desligar. Na verdade, todos precisamos de tempo para elaborar os ciclos, ainda mais quando se fecham e se abrem. E por falar em abrir, agora entendo o que uma querida amiga comentava sobre uma casa com um bebê novinho em folha (tirando o caos e a canseira), ela falava em puro amor puro, leveza e serenidade.
Basta saber observar o quanto a vida é abençoada em forma de ser pequenino…Tudo começa desse jeito. No princípio, somos só tato e percepção, depois é que nossa visão se desenvolve e muitas vezes, nos cega para o essencial. Estou tentando captar cada ensinamento dela, entendendo que a vida se vive no instante, que é mais sentida do que falada; mais vivida do que explicada. Ela me ensina que no presente somos mais satisfeitos do que no passado imutável ou no futuro ansiogênico.
A serenidade que transmite um bebê que dorme é a maior lição que o mundo nos dá e sequer percebemos. As coisas podem ser mais descomplicadas e belas do que sonha nossa vã e encrenqueira filosofia.
 E nossa vida ficou assim:  o mais puro amor como jamais imaginei viver.
Quanto ao natal, esse ano ficou fácil pedir o presente para o Papai Noel: Quem sabe 3h de sono initerruptas? =) E o pior é que não dá para reclamar, pois se estou tendo um tempinho para escrever esse post é por que as coisas já estão bem mais leves…

E logo vai sobrar espaço para contar da bela experiência de parto totalmente natural que tive- sem medicamento, nem intervenção. Ela nasceu como planejei e desejei, com luz baixa e gente gentil e silenciosa ao redor, sem médicos ou bombas de oxigênio. Ao sair do mundo aquático, sequer chorou, apenas olhou tudo a sua volta com olhos arregalados e atentos. A única droga que recebeu foi a primeira que a natureza fornece aos mamíferos humanos: um coquetel de amor e paz. Mas voltarei no tema…

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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