Primeiros Meses

Luna aquática

Toronto_outubro, 2013, Luna 11 meses:

– É a primeira vez dela na água? Não, é a segunda! Respondo, brincando.

A água é o habit natural, o primeiro, o maravilhoso tempo no útero que tanto estrago fará na psique do indivíduo pela vida toda…Vamos passsar a vida tentando encontrar um lugar, uma pessoa, um momento que nos traga tamanho conforto, sergurança e serenidade como aquele que experimentamos no útero materno, dias em que fomos uma única coisa indivisível. Daí vem o trauma da luz, do seco, da imobilidade, enfim, o mundo aqui fora. C’est la vie!
E tem o dia, que retornamos à banheira imensa, uma piscina, um lago, o mar. Por isso a água nos traz tanta paz e perto dela lembramos que somos simples animais desejosos de harmonia.Mas o post é pra contar da alegria. A alegria de levar a Luna para aula de natação.
Um bebê faceiro na piscina é um deleite para o coração. Ontem foi o primeiro dia. A função no vestiário é mais complexa que nado sincronizado, mas tudo dá certo no final. A gente vai aprendendo é com a vida, com o balanço da carroça. E me parei a pensar na minha mãe. Santa Gladys Maria Maggiore, como diz seu genro. Ela fez aula de natação com seus bebês na década de 80. Era bom para asma, aconselhou a pediatra. E foi melhor ainda para criatura que carregava a genética alergênica no corpo. No caso, eu.
O bom de ter um filho é que a gente passa a pensar no que fizeram da gente enquanto bebê. E ontem, particularmente ontem, me regozijei em saber que senti na pele a emoção que a Luna sentiu ao dar o primeiro tibum na aguinha morna. Isso sem falar, na sensação de uma mãe, louca, tarada de amor pela cria, com aquela coisa gostosafofagordadelicia nos braços, toda molhada. Fala sério…felicidade pra mim se materializa nesses momentos. Daí que saímos da aula, Luna banhada, vestida e agasalhada para ver o outono lá fora.
A piscina fica dentro de um centro comunitário, localizado no meio do parque. Ao sair, vemos o dia caindo, crianças brincando no parquinho, folhas bailando ao vento…sento para amamentar ao som dos passarinhos. Ela sorri enquanto mama. Guardarei esse quadro e o cheiro desse dia para sempre na memória. Sensações, é disso que a vida quer ser  preenchida.

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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