Primeiros Meses

Nana neném, and sutilezas da motherland

Toronto_setembro 2013: Luna _ dez meses.
Cedinho me pus a pensar sobre as sutilezas da maternidade, coisinhas simples, imagens que se tivéssemos em mente antes do bezerro sair pro mundo, nos ajudariam bastante. O tema volta quando estamos preparando Chás de Bebê e fico rememorando o que eu pensava enquanto andava pançuda pelo mundo.
Inocente, eu era uma inocente como todas as mães de primeira viagem. Hoje até acredito na função evolutiva da inocência pré-materna, não fosse ela a humanidade estaria perdida, não nasceriam mais bebês e o mundo não anda assim tão divertido para que percamos a oportunidade de ver novas almas florirem por aqui. Mas bom…ia falando das sutilezas. Sutilezas nem tão sutis, como esquecer de si mesmo por um tempo bem longo. Vou falar daqui, da historietas de uma mãe-cuidadora em tempo integral, sem ajuda abençoada de terceiros, tampouco da família (quem mandou ir morar tão longe, pensaria minha mãe!). Buenas, mas vamos ao cenário:
Luna tira a primeira soneca da manhã, razão pela qual estou esparramada no sofá, escrevendo. Sim, poderia estar comendo, dormindo ou olhando para o teto, tentando descansar, mas o que fazer quando o bicho da escrita quer saltar para fora?! Ah, poderia tomar banho? Ahe! Já tomei! E isso é bárbaro! Lembro de uma amiga, no meu chá de bebê, dizendo que quando seu bebê tinha um mês, o sonho…o sonho da vida dela para o próximo ano era dormir mais do que 3h direto. Comentei que nossos sonhos ficam mais simples, mas nem por isso fáceis de realizar. Mas juro que quando ela falou isso de dormir, nem por um risco passou na minha cabeça o efeito que isso teria em mim. Por isso a inocência, a gente não tem como ter noçao até viver e que bom que é assim.
Ah, o dormir…o comer com calma, o tomar banho silenciosamente…Bom, mas hoje tomei banho como muitas outras vezes nesse ano, ou seja, com um carrinho atracado no banheiro e com uma bebezinha banguela me olhando risonha. Daí eu canto. Sim…começo cantando alguma bossa agitadinha e ela vai olhando, observando os detalhes do brinquedo pendurado e quando eu engato a primeira nota de Asa Branca, ela encosta o rostinho e já começa a embalar nos braços de Morpheu. Luna ama Asa Branca, suponho eu. Canto essa canção desde os primórdios do inverno passado, quando ela surgiu aqui em casa. Cantar para ela dormir é alguma coisa que eleva meu espírito para altura das nuvens. Não tem explicação racional que seja capaz de transmitir o que sente um coração de mãe ao ver seu rebento dormir tranquilo e saudável. Paz, mas uma paz…
Enquanto isso, a lentilha e o feijão ardem no fogão. Sim, a moçoila já iniciou há tempos os tais sólidos e a minha saudade dos tempos só da teta master, não passa. Quão simples é levar os peitos cheios de leite para passear, quão maravilhoso é dar de mama sem pensar em cozinhar coisicas saudáveis.
Outro dia uma amiga engraçada me larga essa: Como essas mulheres aqui, da nossa idade, conseguem ter tanto filho sozinhas? Como elas tratam de cozinhar? Onde acham tempo? Devem só dar papinha e tudo mais comprado no mercado. – Sei lá…pensei eu. Só sei que estou entrando numa fase mais amigável com a tal papinha.  Já sinto prazer em cozinhar de novo. Nada como a passagem do tempo. E penso na minha avó, na minha mãe…elas não passaram pelas exatas experiências que passamos por aqui. Aqui mamãe-bebê é realidade pura.  A vida se apresenta para a gente é no meio da travessia, já diria Riobaldo.

Sinto que o isolamento social e familiar cria uma outra idéia de momento com a criança. Essa coisa toda de tios, primos, a gente perde bem quando está longe. Há que ser forte para proteger a sanidade mental e física. É preciso trazer dentro de si muito gás de felicidade, ter uma bombinha de energia que é recarregada todo dia cedo da manhã, para que tudo recomece bem e alegre. Por sorte, mas por muita sorte, essa bombinha existe em mim, mas nunca pensei que fosse usá-la tanto. Mais uma sutileza que ninguém me contou sobre ser uma mãe expatriada. Mais uma das dores e belezas que só uma vez na vida iremos sentir igual, com tamanha intensidade e loucura e sensação de eternidade. No fim e no más, não há nada mais feliz do que viver bem, do jeito que der, a fase mais brilhante da vida dos pequeninos…ver o grande despertar de um ser é mágico e os primeiros anos não voltam mais, nem para nós, nem para eles!

E já vou lá, a chefinha acordou…e a louca aqui estava com saudades.

Em casa com criança não tem sossego, mas também não tem tristeza, já diria o ditado.

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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