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Dez coisas que aprendi ficando dez meses sem teto próprio…

Abril_2015_Toronto:

1. Existe uma vida incrível que só a mobilidade traz, um frio na barriga inomimável que só sentimos quando quebramos todos os pilares artificiais que nos sustentam. Estar sem casa é como andar um pouco nu e de pés descalços;

2. Ter amigos é ter teto e afeto por muitos céus distantes daqui. Confirmei minha tese sobre a importância de uma comunidade solidária, uma economia de compartilhar não só coisas como experiências;

3. É bom ficar vulnerável, testar-se mais humilde e adaptável para entender o que é essencial, viver o dia após dia com duas mochilas, um amor e um bebê. Afastar-se das nóias do “certoXerrado” da maternidade e passar dias em família sem pensar foi a melhor lição dessa jornada;

4. Ter uma família amorosa é carregar no coração toda confiança de que estamos bem, mesmo na maré do incerto;

5. Não existe mau-humor da rotina quando não se tem rotina para administrar; Cada dia é uma descoberta, a alma fica à espera de boas emoções toda manhã…

6. Eu adoro lavar a louça e cozinhar em cozinhas diferentes, sem ter a obrigação de organizar a minha própria casa;

7. Não é simples se manter em equilíbrio quando passamos uma existência construindo crenças de que a segurança mora numa casa enraizada em algum lugar, em pagar contas todo mês e agradecer pelo trabalho das 9h as18h;

8. Dormir em lugares diferentes, com travesseiros, cheiros e costumes estranhos não mudou a dinâmica que tínhamos com nossa pequena. É possível carregar um bebê e torná-lo adaptável e adorável na trajetória, só precisamos soltar as rédeas da rigidez e crer que assim como nós, as crianças também precisam de nosso tempo, amor e comida, não muito mais que isso;

9. Aceitar o presente momento é o modo mais sábio de encarar a vida inteira. Mas é simples cair no remoto quando todo dia praticamos os mesmos atos. A casa está segura dentro da gente, ou está bamba mesmo sob concreto armado;

10. Não há nada mais refrescante para purificar o olhar e os velhos pontos de vista do que ver novas paisagens e rostos e jeitos por muitos lugares que vivem sob as mesmas 24h que nós, aqui e aí. E se experimentar um sujeito novo, aberto para decidir se um dia quer voltar a se fixar, agora com mais consciência das dores e belezas de se ter um teto para chamar de seu. 

Claro que teria facilidade para escrever mais dez listas dessas contando cada alegria e angústia que perpassam a mente de quem tem uma coceira tão grande na alma, que poderia morrer alérgico se um dia não tivesse a coragem de se atirar sem para-quedas. Meu leãozinho precisa ser enjaulado cada vez que resolvo me enraizar por algum tempo. E a aventura sempre está para recomeçar. Agora com a casa nova se moldando, com quadros na parede e plantas para preencher espaços, posso sentir que a leveza existe tanto na saída quanto na chegada. Sempre o que conta é como olhamos para cada vivência dessas e a costura que vamos fazer na colcha de retalhos que é esse sopro de existência.

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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