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Do metrô e a pé…

Agosto_2015_Toronto

Das coisinhas mais gostosas da vida estão os pequenos saltos de independência. As primeiras vezes são únicas. Ontem a tardinha, decidi que iríamos Luna e eu de metrô para Downtown encontrar amigos para comemorar. Até aí nada demais, andamos para cima e para baixo sob o solo da cidade com frequência.

A diferença foi por que fomos sem carrinho, ela não teria alternativas. Nem eu. E sem nada de bolsa, cacarecos de criança. Logo foi compreendido que estávamos em uma missão de duas moças crescidas, faceiras e sem frescura. Uma diversão da descoberta pura. Algumas quadras para chegar ao metrô, outras lá. Foi um passeio na confiança da sua adultez. Encontraríamos todos na King Station e voltaríamos quase meia- noite pra casa. Ela foi saltitante, comentando sobre como cantaria Happy Birthday, andando de jaquetinha jeans e causando espanto. Um casal com um bebê grandão no sling, já na área financeira de Torontopergunta quantos anos ela tem: respondo que pouco mais de dois e meio. E já caminha? Sem stroller? 

– Um dia eles crescem e ficam assim. Tu nem vai lembrar desse bebezão gostoso. 

Ela sorriu sem acreditar. E compreendo. Lembro de uma noite quando fui até a farmácia, com umas olheiras bem lindas na face, uma mulher fez questão de me dizer com ternura que eu voltaria a dormir um dia. Óbvio que mal entendia o verbo dormir, assim subjetivamente falando.  

Quando temos um bebe não temos muita ideia de que ele vai crescer, fica complicado de crer que esse tempo de canseira, apesar da doçura, vai passar. Mas passa. E só volta quando outro bebê pintar…E como disse minha amiga Carol ontem: se fosse tão, mas tão ruim segurar a onda de ter filho sem família por perto, nem ajuda, nós não iríamos querer ter outro. É duro, mas um dia tu vai poder dar a mão para teu filhote e sair com ele pela cidade como se fosse gente grande. São esses momentos que formarão nosso tapete de memórias lá na frente. 

A lembrança do dia que engatinhou, que andou, que comeu, que viajou de trem, de avião, que disse que te amava, que saiu sozinho…

Ps.: Enquanto escrevo esse post, ela se aproxima, vê a fotinho do pé e diz: a Luna e a mamãe no metrô! 😉 

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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