Infância Primeiros Meses Viagem com filhos

Festa de dois anos e o mundo lá fora

img_4976Luna ouve algum comentário sobre sua capacidade de observação como se isso fosse uma surpresa pra o passante: um bebê que observa isso! Uau!. Ela volta, olha nos olhos da pessoa e diz: DOIS ANOS!

Ela tem dois anos agora, e lembra a todos que isso não é pouca coisa.

Alguém perguntou qual seria o personagem infantil da festinha de dois anos da Luna. E ficamos matutando por um tempo para entender sobre o que a decoração da festa falaria…sobre o modo que hoje as pessoas fazem, sobre o que não faríamos, ou o que faz sentido. Buscamimg_4915os sempre longe o que está embaixo do nosso nariz. Não é preciso gastar uma fortuna com algo tão simples. Crie! Como eram nossas festas na década de 80? Brigadeiros, primos e um bolo. Os personagens eram as crianças. E quem então será a personagem principal desta festinha? Ela mesma, Luna e sua pequenina história de mochileira das galáxias. No mundo da Luna.

Luna tem dois anos e quase dez países nas costas. Foi essas andanças por ai que nos inspiraram a fazer cada detalhe da sua festinha. Oito pedaços de madeira velhos jogados num pátio, se tornam o mapa que a lembrará para sempre que o o mundo é um livro e aqueles que não viajam lêem somente uma página. A aventura está lá fora…espero que ela pense nisso! Bandeirinhas impressas, palitinhos…globos nas mesas.

Navegar é preciso…

Pegamos uns tocos de madeira empilhados, pintamos e escrevemos os nomes de algumas cidades pelas quais ela passou nessa pequena existência cheia de graça. Numa parede, fotos quadradas de todos aqueles que fizeram parte dessa aventura. Um universo de relatos entrelaçados, sorrisos e histórias contadas para aqueles que parassem ali para ouvir. Numa outra parede, versos e ditados escritos à mão: uns do Gandhi, outros do meu pai. “A vida é curta e a morte é certa“. Amo esse ditado gaudério repetido muitas vezes por ele. Se falamos de aniversário, falamos de uma vida. E de que adianta ter o ar para respirar se não soubermos o quanto ele é raro e precioso?

Na mesa, muitos barquinhos e aviões de papel, feitos com a maior paciência pelo pai da aniversariante. O mapa no painel foi pintado por ele, à mão, sem moldes. Muitas comemoraçõeimg_4921s virão, e foi bom tirar esse tempo para refletir sobre a alegria e a responsabilidade de guiar uma vida tão frágil e tão forte pela terra. Acredito que facilmente nos entretemos com a embalagem de tudo e esquecemos o que está por trás quando se trata de aniversário de criança. São tantas coisas para poluírem o olhar. Além da euforia da data, vale meditar e agradecer por essa vida, por tanto esforço em manter a harmonia familiar, a saúde, o alimento, a paciência…tudo que nos faz crescer e amadurecer nesse processo. Ter filhos é muito diferente de ser pai e mãe. E só sabemos quando de fato viramos um ou outro. 

Do começo ao fim da concepção da festinha, relembramos nossos momentos com ela por tantos lugares. Acho que é isso que faz a coisa ser tão prazerosa e leve, não há compromisso apenas com a estética, mas com a substância. Foi apenas um almoço com o bolo como sobremesa. Antes da soneca da tarde, todos já tinham partido. Simples como a infância deve ser. A memória que ela terá dessa festa restará das fotinhos opacas que um dia terá acesso, mas a vivência que a criança tem vai além dessa memória narrativa, fica na célula, molda seu olhar, o comportamento futuro, o jeito de ver a vida. Pode ser que quando sua própria filha fizer dois anos, ela vá me perguntar como foi sua festinha  …como eu perguntei para minha mãe e quis ver fotos da época.

Um dia talvez, Limg_4926una não queira ser mais personagem de suas próprias festinhas, e exija princesas e porquinhos rosados, mas até lá, vamos aproveitar para deixar passos em direção à essência, ao que cala fundo ao coração, ela mesma. As pessoas e as histórias que ela mesma vive.

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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