Infância

Luna, coração valente

Luna,

No dia 2 de novembro de 1980, nasci. Fato glorioso! Um dos mais importantes da vida do indivíduo.

Trinta e dois anos depois, nesse mesmo dia, as 8h da manhã, minha bolsa rompeu. Era tu que anunciava a chegada. Desmarquei a festa, desmarquei jantar romântico, aquele que seria nosso último, como um casal sem filhos. Como convidada ilustre terminou com algumas comemorações para virar o próprio motivo de festejo! Na virada daquela madrugada de sexta pra sábado, tu nasceu. Dia 3 de novembro, data em que meu pai me registrou, por pura superstição, agora estava marcada para ser compartilhada. Quis me agarrar no fato de ter nascido dia 2! Então ficamos assim, dona Luna: tu pega o dia 3 e o dia 2 é só meu! Okay?!

Ok nada. Tu era pra ter nascido lá pelas bandas do dia 15…

Vá lá…dizem que almas gêmeas sofrem dessas coincidências. E nós já sabemos que somos. Identificadas no mesmo segundo que nos vimos. No momento que tu nasceu de olhos arregalados e curiosos, sem chorar.

Filha, hoje comemoramos o teu aniversário numa linda festinha no Alegrete. Tu estava iluminada de alegria. Agora só sabe dizer que tem dois anos! E mal completou ainda. Na verdade, vivemos a última semana do nosso inferno astral. Ah, se todo o inferno astral fosse assim…

Tuas memórias estarão bem guardadas por aqui. Teus avós vão morrer de saudades desses doces dias que viveu com eles. E tu tatuou nas células que te compõe todo esse afeto que recebeu.

Teu pequeno coração valente, não quer saber mais de despedidas. Mas logo vai perceber que a vida inteira é um adeus sem fim. Basta ter a consciência da finitude e da raridade do momento para entender que amar é assim, requer desapego e intensidade.

Com amor,

Mamãe!

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

1 comentário em “Luna, coração valente

  1. É a mesma roupinha, ou foi feita uma igual?
    Que lindezas. 😍

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