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Luna e a pressa: uma tarde em Toronto.

Cena 1- Ando e converso com ela ao mesmo tempo pela University Avenue, em Toronto. Avenida grande e particularmente lotada naquela quinta-feira. Muitos hospitais, órgãos do governo e consulados de outros países no mesmo lugar. Como era caminho para o campus da Universidade, trajeto agradável para se chegar à Bloor Street, sigo por ele. Na dúvida, o caminho mais bonito.

Luna: Quanta gente, né, mamãe?!

Eu: Oh yeh…hora do almoço, filha…e tento distrair com o pássaro azul que passa.

Sinal fecha para pedestres. Estamos emperradas com a multidão arrumadinha que circula no local.

Luna: Olha mãe–  a bandeira do Canadá balançando ao vento- o Canadá é igual ao Inter. 

Eu: Sim, amor. Vermelho e branco, a razão de estarmos aqui!

Entre gente engravatada, arrumada na estica, passa um senhor grisalho, atlético, correndo com roupa apropriada para o exercício físico.

Luna: Mamãe, olha, o titio tá correndo…

Eu: Sim, filha, ele deve estar com pressa. Ironizo.

Luna: Não, ele deve estar indo ver a mamãe dele! Afirma confiante.

Derretida e apaixonada, incoscientemente, repito o brilhante insight afetivo da minha pequena, em voz alta e em inglês.

Um senhor ao meu lado, esse de terno e gravata, ri e concorda. Todos, no fundo, estamos correndo para ver nossas mães. Pelo menos é o que afirma a nossa vã psicologia do afeto. Buscamos a sensação do útero. Tudo em vão. Era uma vez a totalidade, jamais se repetirá. Mas podemos tentar virar o lado do cordão que nutre o embrião. Assim, num dia de sol, todo o esforço despedindo na jornada maternal será recompensado com um simples manifesto como esse: pressa, só pra ver a mamãe. 

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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