Luna flor,

Hoje tu completa dez meses e um ano de vida fora d’agua.

Vejo as fotos de quando chegamos em Londres, no inicio da nossa viagem, e tu parece um bebe andante. Agora, mais de sessenta dias depois, uma mocinha falante.

Tu da um bonjour com um sorriso de manha e agradece dizendo: merci, mamae…merci, papai.

A gente fica besta e se derrete três vezes tentando esconder isso de ti sem sucesso. Tu sabe bem que essas pequenas demonstracoes de troca de afeto nos fazem levitar. De boba tu não tem nem a cara nem o jeito. Teu avo pede cara de braba pelo skype e tu faz uma ruga de fúria sob encomenda. Depois ri. Ele não quer saber de estrangeirismos e pergunta se tu só fala ‘castelhano’. Avisa que logo falara gauchês fluentemente.

Estamos sem teto único há meses, filha. E tua vida parece ser rica de novidades e belezuras. Antes das sete da noite, o sol nem pensa em se por e tu já quer banho…logo cama. Tua soneca sempre acontece depois do almoço, nada mudou tanto pra ti. Viver entre malas e com rodinha no pe deve ter sido um pre requisito para ter escolhido nossa família como sede dessa reencarnacao. Se não quisesse aventura, tinha boas opções a teu dispor.

O fato é simples, cedo tu aprendeu e nos ensinou que não só o adulto se adapta, como a criança também.

Em breve montaremos teu quarto de novo e vai ser bom brincar de casinha por mais um período antes da próxima aventura.

Somos pássaros e tu, nossa passarinha.

Tu so tem um par de tênis. Um pé já apresenta um furinho. Muita estrada para um ser tão pecorrucho, nem dois anos e mais de oito países!

A vida tem tido outras texturas, camadas e profundidades depois que tu apareceu. Não existe mais preto no branco, tu nos ensinou o que Einstein tentou…sobre relatividade, tempo. E relativismos…

Obrigada por quebrar a minha casca com tanta ternura.

Eu bem que precisava de cada lição que tu tinha pra me dar. Isso é só o começo, minha flor.

Em dois meses, tu terá dois anos.

Ja imaginou quantas peripécias tu vai aprontar no BAsil?!

Com carinho,

Mamãe

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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