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Provence e Cote d’Azur na mira do teu olhar…

Imagine-se perdido. Em que ponto do planeta você foi se perder? Estávamos no meio da Costa Azul, em Provence. Nossos olhos tinham acabado de presenciar o silêncio lilás das plantações de lavanda em Valensole. Eis que resolvemos subir o morro (sic!) e ir atrás de um certo lago que nos tinham informado ser de grande frescor. Uma palavra: Esparron-de-verdon. Nem pensei que o Verdon pudesse ter surgido pela via dos lagos azuis turquesa. Muito menos tínhamos internet para avaliar onde estávamos de verdade. Aquele mapa antigo, de papel, surrado, mostrava um pequeno ponto esverdeado. Devia ser o tal ‘laguinho’ que a moça do hotel nos indicou conhecer, assim, de passagem…

E subimos, e subimos…e encontramos um vilarejo! Enfim, lá…um lago azul como nunca havia entrado. Água morna…a Luna era puro deleite. No fim do dia, depois do lanche, contemplando o pôr-do-sol, embaixo de uma árvore, decidimos levantar acampamento, afinal, não tínhamos a menor idéia onde iríamos dormir naquela noite. As estradas da França certamente nos mostrariam um bom lugar para descansar.

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Foi deixar o vilarejo que entendemos a dimensão do lago. O GPS estava completamente humilhado por tanta árvore, rochedos, curvas e penhascos. Fomos subindo e precisei parar para perceber melhor. Um cânion??! Como assim estamos dentro de um Cânion? E o que é o tamanho desse lago azul que corta esse desfiladeiro de montanha…E só subíamos. Não tinha mais como voltar. Sem idéia da volta que estávamos fazendo, em que cidadezinha iríamos cair no final daquela jornada…seguimos em frente. Parando o tempo todo para dizer: Valeu, universo! Nem sabia que meus olhos mereciam tamanha beleza…e de surpresa.

O cômico da história foi ler as placas quando, enfim, a estradinha rural escoa num vilarejo…estávamos no meio do que eles chamam de Grand Cânion da Europa. Les gorges de Verdon. As gargantas de verdon. Um paraíso na terra, plantado entre montanhas, protegido desde a era glacial. Encontrado por feliz coincidência do destino.

lago.jpg
E é por essas e outras que não consigo abandonar a fé no caminho não traçado. Raciocina comigo, como plantar na alma a sensação que só a surpresa proporciona? Viveríamos mais intensamente aquele momento se soubéssemos que estávamos no tal Cânion…se tivéssemos programado estar lá, visto mil fotos antes de chegar…Que importa o nome que o homem deu àquele pedaço de céu?

Naquele tempo só existia o calor do sol, o frescor do vento e o azul que se confundia no horizonte. O resto era silêncio entre um mar de montanhas. O Sêneca estava certo, um único dia é do tamanho da vida. Em outros todos, a gente conta a história ou se joga na estrada para viver novamente.

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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