Europa Infância

O mundo é um vilarejo na montanha

“Vivemos num pequeno vilarejo e nós costumamos ajudar uns aos outros, pois só temos uns aos outros.” Esse é o meio de um diálogo entre uma senhora local de um vilarejo rural images.jpgnas montanhas remotas da Suiça, onde se passa o desenho infantil – Heidi, com a dona do único mercadinho da vila, uma pessoa não muito bondosa. Luna descobriu a Heidi mexendo loucamente no Netflix assim que chegamos no Canadá de volta, em abril. A história foi escrita em 1881 por uma autora suíça e é um dos romances infantis mais lidos no mundo. Na europa, no decorrer das décadas, já houve muitas séries e filmes sobre o livro. Tudo ali contido, portanto, me soa atemporal.
A Heidi comove de doçura e ética, é uma menina de uns 6 anos que vive com o avô, depois da morte de seus pais. A história tem poucos personagens. Um menino que cuida da avó, da mãe e das cabras e estuda na escolinha da vila, a menina Teresa que é filha da nada bondosa Alda, o menino Karl que é filho do professor que dá aulas por ali…Uma menina rica em Frankfurt que anda de cadeira de rodas…A trama de cada episódio é simples e profunda. Não há consumo, não há nenhum objeto que possamos comercializar, nem a própria Heidi se prestaria a ser uma boneca multiplicada num balcão de loja. Por que não há valores individualistas, também não há aquela demanda infantil, nem dos adultos, nem das crianças. Todos preocupados em sobreviver, com os percalços que a vida traz independentemente para os que vivem no campo ou na cidade. Heidi nos mostra a beleza de viver dos simples encantos.
Só há a natureza e os seres que nela vivem. A paisagem é linda. As estações fazem o cenário de cada etapa, na primavera os dramas são diferentes daqueles que ocorrem no inverno, na mais profunda nevasca. Quando chove, as crianças precisam ajudar a tocar as cabras para que elas não morram sob o temporal. Quando um animal vai parir sua cria, as crianças estão ali curiosas vendo como aquela vida se dará.
Os dramas daquela comunidade são humanos e podem ser aplicados para metrópoles ou pequenos grupos. Fiquei sabendo que na Argentina, Heidi passa na TV pública e que minha amiga de lá assistia desde pequena. Uma outra italiana comentou o mesmo. Fico me perguntando quando a Heidi vai chegar no Brasil. E seria bom que passassem os episódios antes e depois do jornal nacional, horário nobre como são os finais de cada história deste desenho tão bem escrito.
No episódio que vimos hoje o avô da Heidi ajuda uma pessoa que acabou de lhe fazer mal. Pensei então que tudo ali me fazia lembrar das aulas de cristianismo. De fato não é simples ser bom, reforçar teus valores em momentos em que é chamado a escolher, muito menos fazer isso com alguém que não foi legal. Os ensinamentos são em prol do todo, nunca só de uma pessoa em detrimentos das demais. E a frase que começa o texto me fez imaginar o mundo inteiro agindo com essa consciência. Se olhássemos o planeta terra da lua, lá de fora mesmo, veríamos uma grande bola azul bailando no universo. Não há pra onde fugir. Estamos todos no mesmo barco, no mesmo lugar entre mares e montanhas. Podemos começar a pensar o mundo todo como uma vila. Pois na verdade é o que ele é. Assim, ajudar o outro seria visto como ajudar a si mesmo.

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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