Infância livros;

Quero nascer cliente, mãe. disse a menina…

Por aqui, tentando finalizar alguns textos e projetos enquanto lido com um ser cômico e falante no auge de sua fúria intelectual aos dois anos e meio.

Nos segundos de silêncio, entre dar comida, colocar um videozinho para entretê-la para que possa cumprir um prazo, sou interrompida umas vinte e duas vezes.
E tudo bem, a maternidade tem dessas coisas engraçadinhas.
Daí que a pessoíca, que está na fase de dizer que ela é menina, não é mais bebê me larga essa:
 
Costumer (consumidor/cliente…) em inglês. A primeira palavra pesada da Luna em inglês tinha que ser essa? Que episódio é esse que tem essa palavra? O desenho parecia inofensivo, uma menina e uma ovelhinha. Hum…ovelinha é perigoso…
Só rindo…e ainda repete – COSTUMER, mamãe, bebê não fala Costumer…bebê só chora e dorme…
É só isso que bebê faz, o sábio bebê que ignora os clientes e só sabe ser chefinho. Pensando assim, um bebê é um ser criativo, revolucionário e empreendedor. Não acata ordens, nem obedece agenda. Não por acaso podemos apelidá-los de little boss.
Todo esse enrosco para lembrar de uma passagem boa do livro Lean In,  da Sheryl Sandberg , COO do Facebook. Ela falava sobre o complexo enredo de carreira e maternidade (numa terra sem terceirização). Contava alguns casos de mulheres em cargo de chefia que abandonavam as carreiras por não terem mais o perfil competitivo, por terem alterado suas noção do que importa na vida.

Numa das entrevistas, a profissional de marketing de uma multinacional conta que sua filha de 4 anos um dia declarou que se nascesse de novo gostaria de nascer CLIENTE. Sim. Uma criança disse que queria ser cliente. Tudo porque deve ter cedo entendido que Cliente é uma palavra poderosa que faz sua mamãe largar tudo e sair correndo. O cliente não pode esperar, o cliente precisa ser mimado sem limites, o cliente se comporta como uma criançã, mas é recompensado por isso. Ou seja, a menina entendeu que o cliente é o topo na lista de prioridades da sua progenitora. Nada melhor numa vida do que ser cliente! Gênia.

Triste é pouco. A tal mãe, disse que chorou muito depois dessa declaração, sabia que a menina tinha razão e reviu toda sua trajetória profissional e as muitas trancas que tomou no mundo corporativo.
Enfim, bobeiras como essa e outras nem tanto fazem parte do mundo de quem se atreve a gerar e guiar uma nova vida pela terra.
Boa sorte a todas nós!

Ps.: Li o Lean In na casa da Nani, em Genebra. Super indicamos, né, Nani? A tal da Sheryl se deu conta de tanta coisa quando teve neném…uma delas foi sobre fazer do seu marido um verdadeiro parceiro, tema para outro post;)

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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