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O canto da sereia…bêbe na praia!

SC, Brasil, março 2014.
“O mar serenou quando ela pisou na areia…quem canta na beira do mar é sereia…”
Luna,
Na tua pequenina existência, teus pés tocaram a areia em duas ocasiões. Dois momentos históricos pra nós. A primeira primeiríssima foi em abril de 2013, quando fomos te apresentar o Brasil. Tu era um bolo fofo, virada em bochecha.
Foi na Barra do Sahy que tu pôs os pés gordinhos de fora e pisou aquele mundo de grão quentinho. Passagem rápida, nem podia usar filtro solar, não tinha seis meses. E como tu é filha de mãe preta e pai branco, não sabíamos como tua pele ia receber o sol dos trópicos. Tudo certo e protegidinho. Um pulo, um reconhecimento e só.
Mas daí, esse ano, não contávamos com a mão do vovô e da vovó, que com uma saudade infinita do teu ser, insistiram pra irmos ao Brasil bem nas férias de lá. Aqui um gelo, lá um forno. Deixamos os casacos para trás e pegamos o vôo solitas, eu e tu.
Voar com uma bebê que se move é uma verdadeira aventura, não necessariamente uma bela aventura. Mas mandamos bem e sobrevivemos. Coragem é ir apesar de todos os receios. E chegar no Brasil é sempre divertido.
Beleza maior é aterrissar em Floripa, num dia lindo de céu claro. Vimos as montanhas ao longe.
Terra Brasilis, faltava só ver todos os nossos queridos.
Teu tio Marcos foi nos buscar no aeroporto. E em poucas horas tu já estava com ele na piscina, veja bem…tínhamos feito uma viagem de 10h, mais uma conexão de 2h30…contando desde a hora que saímos de casa em Toronto, tu já estava há muito tempo em trânsito. Porém, nada te abateve. Foi pra água feliz! Dormiu tarde aquela noite, caiu exausta depois de um churrascão com samba e barulho dos primos.
Dever ter pensado: Mas mãe, se existia um mundo quentinho e alto astral, porque não ter vindo antes??? Eu também me perguntei isso inúmeras vezes, amor.
Desse primeiro impacto até pisar na areia de novo, foi um pulo. Abraçou teus avós, brincou com os primos e teus tios. Logo entendeu que seriam dias vestindo só fraldinha e maiô retrô. Ao ver o mar, tu me olhou e disse: ágg…ágg (o jeito que tu chama água, água!!!) E lá foi toda rebolada, como uma tartaruguinha marinha convicta em voltar à vida aquática.
Tua primeira onda recebeu palmas e um largo sorriso. É assim que tu manifesta toda tua alegria, batendo palmas e dançando. Nas próximas, tu ficou um pouco assustada com o poder que a água tinha em te derrubar. Teu vovô Dario disse: cuidado, cuidado. E tu me olhou com cara de choro.
Pra te acalmar, usei a mesma técnica de sempre, cantar e te fazer perceber que aquilo não vai morder. Logo cantamos juntas: água de beber, água de beber camará…e tu lembrou da voz do Vinícius e da música que ouvia toda manhã direto da vitrola. Aquilo foi uma bênção. A cada onda, tu dava uma dançadinha. Tudo virou “água de beber…”
Só conseguiu ser mais faceira quando viu teu pai entrar pela porta, uns muitos dias depois. Dali em diante, era papa pra cá e papa pra lá. Entrar no mar com o pai é muito bom mesmo, a gente se sente segura, pequenina, protegida. Tu fez renascer a minha infância na praia. Tu me fez perceber que paternidade e maternidade é algo que precisamos pela vida toda para nos sentirmos amados e seguros.
E foi assim, minha pimpolha, que teus dias de férias começaram. Foram horas ao sol, brincando na areia, insistindo pra ficar no mar, horas de picolé babado e milho verde compartilhado.
Faremos um álbum para recordar, mas como as fotos tentam contar uma história e lá faltam pedaços, vim aqui para te lembrar que os dias ao teu lado são uma alegria sem fim…sem fim como aquele mar que tu viu, consciente, pela primeira vez em Santa Catarina. Agg, Agg…

O Riobaldo tinha razão: Perto de muita água, tudo é feliz.

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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