“…é que o passado me traz uma lembrança do tempo em que eu era criança….que o medo era motivo de choro, desculpa para um abraço e um consolo”

Hoje cedo Luna acordou e foi parar em cima do meu colo na cama. Falou que teve um pesadelo e que estava com medo. Cobri seu corpo e contei que quando ela nasceu foi a primeira posição que estivemos juntas do lado de fora da pança. Ela riu. Quis saber detalhes. Contei que o bebê fica nadando na barriga como peixinho e quando sai pode ficar no peito da mãe pelo tempo que quiser. Pele a pele, corpo a corpo, mas quem se toca mais é a alma.

É a hora que nos olhamos no olho num tempo que não pode ser contado no relógio. Ela nasceu sem chorar. Nunca vou esquecer aqueles olhos arregalados sobre mim. Só depois de mamar e quase dormir, chorou porque sentiu frio, sentiu a ausência da falta de pele e contato humano. Logo voltou…desde então fomos quase fundidas em abraços e beijos.

E essa manhã ela pediu colo e calor. Só pude pensar que esses pedidos abertos do coração de uma criança nos permitem acessar os mistérios do mundo. É o momento da pausa, da gente parar pra fazer o que não é utilitário, o que não deve ter pressa.

Chamego é vida. Dê o máximo de colo pro teu bebê e mesmo depois que tu já tiver esquecido os dias da primeira infância. Somos todos passarinhos querendo voltar pro ninho do afeto. Aquele lugar quentinho e seguro que podemos parar o tempo. Ali, onde fomos e seremos para sempre, amados e aceitos. E isso basta.

 

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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