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Um amor e uma série: Call the midwife

janeiro/2014:
“Você descobrirá o segredo da vida, minha querida, quando você souber como amar.”

Essa frase me fez voltar o vídeo, rever a cena. Foi dita por um senhor muito vivido, à beira da morte. Ele tentava explicar para a jovem Jenny que ela não precisava sentir pena dele, pois ele tinha amado sua esposa e seus filhos que morreram na guerra. Ainda assim, ela sofria. Ele insistiu que amou tudo que pode e foi amado, como queria ter sido amado. Tinha tido uma vida plena de sentido.

A série da BBC,  Call the midwife tem essas e muitas outras histórias bem humanas. Além das cenas belas e reais de partos normais, realizados em casa, pelas midwifes londrinas, a série conta de outras partes da vida, das midwifes e da comunidade onde atuam. East End, bairro operário, pobre, em Londres, na década de 50. As histórias são baseadas no livro de relatos de uma midwife da época, Jennifer Worth. Fala, sobretudo, de amor. Pois não há nada mais fresco, belo e puro que um recém-nascido no momento incrível que irrompe para a vida, aqui, deste lado do mistério.

A Luna nasceu pelas mãos de uma midwife, um anjo na nossa vida que me acompanhou todo o pré-natal e seis semanas após o parto. Com visitas regulares, na minha casa. Isso tudo, sem pagarmos um mísero dólar, exceto os impostos anuais. As midwifes aqui fazem parte do sistema público de saúde como na Inglaterra. Fico emocionada só de lembrar da minha, dos cuidados dela com a Luna. O apoio informa a nova mãe, não lhe tira o poder, a intuição. Percebi que o modo como as midwifes (parteiras-enfermeiras obstétricas) agiam naquela época, ainda é o mesmo que hoje lhes garante a total sabedoria em auxiliar uma mulher a dar à luz. Elas sabem como proceder, elas sabem do que o parto se trata. Elas sentem a beleza espiritual daquilo, ouvem a melodia tocada no universo, sem isso abrir mão da técnica, do saber científico. Elas empoderam a mulher, dão a força, o afeto e a segurança que elas precisam para parir.

As histórias são comoventes, mas o que me deixou feliz também é que teve grande clamor da crítica nos EUA, além da Europa. O que é de grande valia para voltarmos a entender o porquê, nos EUA, as midwifes foram e ainda estão sendo impedidas de trabalhar como antes. A série trará a noção certa de volta, a empatia de volta e a real força da mulher empoderada, tanto para auxiliar o parto, quanto para parir.

Se um dia houve um “Caça às bruxas” é porque os homens no poder e os homens na igreja não poderiam entender e jamais alcançar o saber do sagrado feminino. Só à mulher é dada a intuição plena e a alegria de gerar uma vida. Somos bruxas poderosas e está mais do que na hora de lembrarmos disso!

Quando Luna nasceu eu já era passarinha migrante retirante, morando em Toronto e com o coração solto no mundo. Vivo querendo dar um tombo na rotina e sair voando por ai, sem rumo. Um dia me defini como gaúcha, colorada escorpiana e advogada. Hoje não tenho mais pretensões definidoras. Já entendi que somos transformações pesáveis. Sou um pouco escritora, fotógrafa amadora, inquieta faceira e viajante por qualidade de alma. Ser livre, pelo menos acreditar que tenho escolha é o que me faz viver e crer que a vida é boa. Estou aqui online, mas sou quase analógica. Movida a vinho, lápis, livro e caderninho. Chamego e leveza são palavras que me abraçam. Abri esse canal pra conversar contigo. Quero saber de ti...o que te move, corazon?

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